segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O SIMUM


O SIMUM — Interessantes são os ensinamentos que Niebuhr incluiu em seu livro “Description da L’Arabie” no capítulo relativo ao simum. (Tomo primeiro, pág. 11).

Relatam os Árabes trágicos episódios ocorridos nas regiões que são flageladas pelo vento terrível denominado “simum”, ou “smiel” ou “sameli”, segundo os diferentes dialetos. 
 
Ocorre freqüentemente o simum durante o período do verão, na época em que o calor é mais intenso. Em Meca, por exemplo, a direção da corrente é assinalada de Este para Oeste; em Baçorá o vendaval apresenta sempre a direção Norte-Oeste.

Como os árabes, que vivem no deserto, estão muito habituados com o ar puro, não suportam o “cheiro” do “simum”. É um cheiro fétido capaz de causar náuseas num elefante” — dizem. Quando o simum rompe na sua violência máxima a região do céu, nas vizinhanças da linha do horizonte, apresenta uma cor avermelhada; desloca-se o vento em marcha horizontal varrendo a colina, arrastando as pedras, derrubando as tamareiras e erguendo, para as alturas, nuvens sufocantes de areia.

Os homens deitam-se no chão, com o rosto voltado para baixo; defendem-se desse modo, da areia e das rajadas ardentes, que são extremamente perigosas.

Ao passar o simum — narrou o capitão Haertter — o calor era tão forte que eu tive a impressão de que havia sido levado para junto da boca de um forno imenso em plena atividade.

(Extraído do livro Lendas do Deserto, de Malba Tahan)

Nenhum comentário:

Postar um comentário